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Alphonsus de Guimaraens, um grande poeta brasileiro (notícia do Paulo Soriano)

(A notícia deste post é do grande amigo da Galiza e excelente escritor baiano PAULO SORIANO que esteve cá em Julho de 2011 convidado pela AGAL para apresentar os seus livros «Contos Galegos: contos de horror e fantasia» e «Histórias Nefastas: contos de terror, horror e fantasia»)
Olá, bom amigo.
Como você está, irmão?
Cá, lembramo-nos muito de vocês. e pedimos desculpas por tê-los estorvado em nossa estada em Compostela.
Aos bons amigos galegos,  apresento-lhes Alphonsus de Guimaraens, um grande poeta brasileiro, decerto desconhecido entre os galegos:
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
 
 
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
 
 
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
 
 
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
 
 
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Belíssimo, não?  Ouçamos, então, do mesmo autor,   este  fantástico autorretrato, ou retrato  d’alma:
Entre brumas, ao longe, surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.

 
E o sino canta em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
 
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a benção de Jesus.
E o sino clama em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
 
 
 
Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Poe-se a luz a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu tristonho
Toda branca de luar.
 
 
E o sino chora em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!” 
O céu e todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem acoitar o rosto meu.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.
E o sino chora em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
 
Belo, não?
Um forte abraço.
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