Pega no livro

Clubes de leitura da Galiza com algum livro em português

O arquipélago do Senhor Napumoceno

O senhor Napumoceno da Silva Araújo fez rir a uns e baralhou um bocadinho a cabeça de outras.

A leitura deste livro poderia lembrar a qualquer uma das seguintes experiências:

Entrar num labirinto
Abrir uma cebola
Puxar do fio de um novelo emaranhado
Começar a comer um bolo que não se pode deixar
Abrir um jogo de bonecas russas

Eis uma das perguntas que se colocaram na sessão de debate sobre o livro, no sábado 11 de janeiro, no centro cívico Maruja Malho de Lugo. O fio, o labirinto e a cebola foram as metáforas mais escolhidas – mas se fosse a cebola, teria der ser uma bem emaranhada por dentro.

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O Testamento narra a história de ascensão social de um comerciante radicado em Mindelo, na ilha cabo-verdiana de São Vicente. Quando a empresa atinge segurança financeira, toma conta dela Carlos, sobrinho do senhor Napumoceno e resgatado por este último da miséria.

Maria da Graça é filha de um relacionamento do Senhor Napumoceno com D.Chica, uma das criadas. A paternidade é mantida em segredo em vida do protagonista, mas ele cede muitos dos seus bens à filha no testamento.

Riqueza de perspetivas ou fonte de confusão para o leitor? A controvérsia estava servida, e foi por aqui que enveredou uma grande parte da conversa. O que é claro: no fim o livro deixa mais de uma questão sem resolver. Há quem goste e não goste de ficar com este tipo de incógnitas.

Também o sentido do humor do Germano Almeida fez rir mais a uns do que aos outros, e em geral mais numa segunda leitura do que na primeira. Sim foi consensual ver o episódio da venda dos guarda-chuvas como um dos pontos fortes do livro, o que justifica bem a escolha do motivo para a capa da edição de bolso.

Foi avaliada positivamente a aproximação à realidade cabo-verdiana que fornece o livro – bem como à sua história, pois atravessa o período da Independência e vai até aos anos 80.

Contas feitas, o Testamento foi-se de Lugo com uma pontuação final de 6,8 pontos de 10 – houve, sim, quem insistisse no bom que seria fazer uma viagem a Cabo Verde.

No final da sessão escolheram-se as seguintes leituras, neste caso duas: Myra, de Maria Velho da Costa; e , de António Nobre, o livro que o senhor Napumoceno deixou em herdança à Adélia, a moça de olhos assustados por quem tanto se apaixonou.

Encadeando uns livros com outros, Tuga-Lugo-Lendo envereda pela primeira vez pela poesia, sem ao mesmo tempo deixar de lado a narrativa.

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Autor: peganolivro

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