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Avelino Díaz: Poeta da Galiza emigrante (I)

Antom Labranha

 

Queria era partilhar a notícia que tive deste nosso poeta, em vivo emigrado de corpo e alma e, já finado, no exílio da memória do seu povo. Começo com esta coisinha a minha achega para que volte ter com nós, em a terra sua. O texto que apresento foi elaborado a partir do livro “Avelino Díaz: Unha voz comprometida na Galicia emigrante” de Marivel Freire, editado pelas “Brigadas en Defensa do Patrimonio Chairego” (Lugo 2002).

Nasce no ano de 1897 na freguesia de Santa Comba da Órrea, concelho de Riotorto–Lugo-. Sua família trasladar-se-ia a Meira aquando ele tinha dez anos, e pouco depois, com apenas doze, começa seu périplo como emigrante: um parente leva-o a trabalhar em Buenos Aires,“como se me dixesen que fose sachar patacas ao leiro ou levar as ovellas ó monte”.

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Quatro anos depois volta emigrar, de esta vez para Cuba. Porém.não havia encontrar na ilha caribenha o afamado paraíso de colonizadores, senão que iria sofrer as duras condições de miséria e repressão pelas quais passavam os trabalhadores. Dois anos depois decide voltar a Buenos Aires, aonde se estabeleceria definitivamente.

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Volta para Meira em 1916, onde subsiste fazendo de mestre –sem acreditação oficial- de três aldeias da contorna e indo às segas a Castela. 

Reproduzimos, a seguir, uns fragmentos dalguns dos seus abondosos poemas em Galego. Por enquanto, há certeza de ele ter escrito em Português três poemas ao mínimo. Estou à procura. Agora apenas uma escolha que, acho, dá para percebermos a fundura emocional da saudade, a dor da privação do berço:

 

Que froreza nos prados feiticeiros

a gama de choridas máis fermosa

e que medren nas valgas i-ós outeiros

verdescentes ramallos de loureiros

pra coroar túa frente maxestosa.

(de ¡MIÑA PATRIA!)

Levaba anceios na ialma,

na fronte, sonos dourados,

nos beizos, ledas surrisas,

no peito amores calados

i-en meiguice de luceiros

os ollos engaiolados.(de SOMA ESVAÍDA)

 

Xesteiras de Santacomba,

donde andiven de rapaz,

toxal da serra de Meira,

quén vos puidera mirar!

(de AS XESTAS)

 

 

Non reces que-é de cobardes

rezar, i-é cousa cativa;

e Deus, anque se lle pregue

ós debles non fai xusticia.

(de ¡ÉRGUETE POBO!)

¡Se xa na ponte de Meira

semellas ser un lanzal

mozo, que canta cantigas

i-ó lonxe vai troulear!

(de RIO MIÑO)

Unha vez indo prá feira

cunha linda costureira,

tentei de facer entulla

I-ela chantoume, lixeira,

en salva parte, unha agulla.(de MOZAS)

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Autor: peganolivro

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