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A INSTALAÇÃO DO MEDO de Rui Zink

Esta ficçao filosófica reflecte sobre a instalação do medo, uma das consequencias da crise atual, segundo lemos no blog Ars integrata :“ a sua trama fornece pistas para que seja o próprio leitor a poder esconjurá-lo (…) sendo um manual de auto-ajuda, contraponto ao manual de bolso da classe política: O Príncipe, de Maquiavelli.”

Em Literatura e arte, Yvette Centeno escreve: “ Tive, ao ler A instalação do medo, a mesma emoção feita de espanto causada pela leitura de O processo, de Kafka.(…) Um medo viral, parente da solução final do holocausto; empobrecer em vez de matar.”

No Jornal de Noticias, Manuel Serrão opina: “prova real da verdadeira instalação do medo são as teorias do rigor com que Merkel tem feito as cabeças dos nossos governantes: ninguém aguenta tanto rigor,tanto tempo. A não ser que queiram começar a falar de “rigor mortis”.

No blog A viagem dos argonautas lemos: “ Esta obra é um grande fresco da sociedade portuguesa, realidade que Rui Zink, pela ironia crua nos convoca a combater”.

Eu acho esta obra emparentada com 1984 de Orwell, e Farenheit 451, de Ray Bradbury. Todas parodiam e satirizam a realidade social sem tomar partido, para que o proprio leitor extraia conclusões.

Mas não gostei da mistura de dois tipos de medo: O de género, mais atávico, a não perder a vida dum filho ou de o corpo ser ultrajado; e o comum à sociedade, aos homens e mulheres, um medo material a perder bens e direitos, mas não comparável ao medo da mulher. A violação fui usada em todo o mundo como arma de guerra ( paquistanís contra as hindúes e bengalís, rusos contra alemãs, serbios contra bosnias, japoneses contra coreãs, etc.). Ruanda, Guatemala, Afganistão,…Os estudos falam de milhões de mulheres ultrajadas em todo o mundo, facto que serviu para expandir o medo a toda a população, já que é uma arma muito barata além de efetiva. O controlo do corpo sempre foi um objetivo político,

Eu pergunto-me que cambiaria na intenção deste livro se aos dois homens que instalam o medo lhes abre a porta um homem… “A mulher está nua” são as palavras que abrem o livro..desprotegida.. mas já abre com receio pois vá agachar ao menino antes de abrir. A primeira ameaça dos homens é a de género, mas logo começam a categorizar medos para crianças e medos

para adultos, medo a serem roubados, e finalmente medo aos mercados…É este medo aos mercados só para homens? Ou mais importante do que outros medos? A redução de salários, o medo dos velhos aos recortes em sanidade, ás hordas de imigrantes, de gente desempregada, com fome…mas, no fundo, é outro tipo de medo comúm aos dois géneros.

O autor dá uma breve luz de esperança com a reação final da mulher, embora seja um final amargo que deixa ao leitor intranquilo. Uma obra que faz reflexionar e não deixa indiferente.

Sara Paz

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