Pega no livro

Clubes de leitura da Galiza com algum livro em português


Outro romance de Rubém fonseca

DIÁRIO DE UM FESCENINO (de Rubém Fonseca)

Acabamos de ter a reunião do nosso clube de leitura, o «santengracia» e lá estivemos a falar da leitura do livro que nos ocupou o tempo de primavera (as reuniões fam-se ao final de cada estação): «A Grande Arte» de Rubém Fonseca. O livro gostou, teve uma qualificação de 7,4 e eu fiquei entusiamado com ele, mas houve queijas a respeito do intrincado da trama. Se calhar fui eu que me queijei e os camaradas assentiram para não me desacreditar.

Felizmente há um filme do mesmo título que pode ver-se de graça em you tube:

https://www.youtube.com/watch?v=5MOx1ibjYwg

que pode ser útil para esclarecer os pontos obscuros do enredo. A minha valoração foi de 9 sobre 10 valores, e não foi 10 por causa de esses aspectos pouco claros de que falei acima. Mas não vai ter esse problema o leitor inteligente (ai! eu não sou um deles).

Fiquei com ânsia de ler mais brasileiro, ou melhor, mais Rubém Fonseca. Felizmente tinha em casa outro romance do mesmo autor: «Diário de um Fescenino» que comprei há alguns tempos na Livraria Ciranda (maravilhoso local, não deixem de visitar se vão a Compostela: Rua Travessa, 7). E é de este livro que quero falar.

Não é um romance policial. Bem, há um caso na última terceira parte do livro. O autor é acusado de estupro por uma amante ofendida. Há depoimentos de testemunhas, quase todos contra o diarista, mesmo umha tem que solicitar permiso ao marido defunto (sei lá como) para contar o que ouviu através das paredes do apartamento, perante o tribunal.

Ele é um Don Juan, mas essa não é a sua vontade: não é um conquistador nem um caçador, as coisas acontecem e pronto. Gosta às mulheres, que pode fazer?  Começa uma relação sem terminar a anterior e as situações difíceis, e cómicas, sucedem-se. As duas mulheres podem ser amigas, ou da mesma família. Quando tudo sai à luz o narrador conta-nos a sua infelicidade enquanto elas descarregam nele toda sorte de maldições (e palavrões).

Há muito humor, mas não só: ele é romancista e fala muito de literatura, técnicas narrativas, escritores franceses, espanhois, americanos, rusos… de todos os tempos. Das suas personagens e do comportamento psicológico dos mais excéntricos. Com certeza o RF é muito culto.

O léxico é menos difícil do que o de «A Grande Arte» que tinha muitos brasileirismos dos baixos fundos. Mas aqui há uns quantos termos de uso vulgar no Brasil referido ao sexo. Há muito sexo e, portanto, muitas palavras tabuísticas relacionadas com ele. Também insultos e imprecações que não são familiares para nós. Mas o contexto ajuda quase sempre. Todavia, por se puder ser de utilidade, vou colocar um glosário nos recursos de este blogue.

Gostei imenso e é por isso que o recomendo com fervor.

Carlos Campoi Vasques (do clube «santengracia»)

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