Pega no livro

Clubes de leitura da Galiza com algum livro em português


As voces baixas (Manuel Rivas)

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Comentario sobre AS VOCES BAIXAS de Manuel Rivas

(Leitura do clube Lendo  lendas)

– Por que este título?
A resposta está nunha peza teatral, cumio do teatro do absurdo , EN ATTENDANT GODOT de Samuel Beckett, cando nun momento dado, Vladimir e Estragon oen as “voces baixas” dos mortos
– Trátase dunha novela?
Non. É como o documental dunha época, a autobiografía do autor enmarcando o retrato dun tempo de cambios profundos na sociedade galega  ( e non só)  nun período que abarca desde a década dos 60 ata finais do século XX.
– Tensión dramática?
Non claramente ata o capítulo final. Algo se podía sospeitar, quen quixera podería ir lendo entre liñas, pero sen chegar ao desenlace que nos agardaba no remate do libro. Tanto amor, tanta presenza da irmá na vida do autor, tanta complicidade, algo ían anunciando. Os primeiros medos, os primeiros posicionamentos antifranquistas, a mesma paixón polas palabras, os segredos magoados partillados só por eles os dous. Fondo dramatismo aumentado polo factor sorpresa
– Humor
Chispas humorísticas salpicando todos os capítulos agás o último. Flashes de humor e simbolismo. Como exemplo, o primeiro estremecemento nos ollos de dous meniños atemorizados pola presenza, máis aló do cristal da fiestra, dos cabezudos que representaban os Reis Católicos.
– Retrato en sepia dun tempo pasado cercano no tempo
É un documento cheo de tenrura , amor e realismo . Deixa claro como con talento e esforzo, uns rapaces humildes , fillos dun tempo de estreituras nunha familia obreira, son quen de chegar á Universidade, reduto ata  entón reservado maioritariamente ás clases privilexiadas.
Alusións claras a persoeiros que por distintos motivos, destacaron en algún eido, maiormente na loita de clases e na conquista de dereitos pola clase obreira : Moncho Reboiras, Carlos o Xestal, Voces Ceibes, os dous manifestantes mortos dos asteleiros ferroláns en Marzo de 1972.
Feitos internacionais que marcaron a historia e foron portada da prensa da época, fitos na historia recente: o golpe de Estado para derrocar a Allende en Chile EN 1973, a Revoluçao dos Cravos no Portugal de 1974, a Teoloxía da Liberación.
Toca o tema da emigración na figura paterna, o afán de saber dunha nai leiteira na Coruña de finais dos 50, na urbanización dunha sociedade en cambio , a irrupción do coche como medio de transporte imparable desde entón ( o 600 do tío , a Lambretta do pai).
As súas incursións no xornalismo, como “meritorio ” en EL IDEAL GALLEGO, o seu salto a Madrid, revistas da transición como CAMBIO 16 ou TEIMA.

Para rematar, dicir que se trata dun retrato amplo e en detalle dun tempo e dunha sociedade que nos identifica e nos fai revivir momentos inesquecibles ás persoas da xeración do autor.

 

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Alphonsus de Guimaraens, um grande poeta brasileiro (notícia do Paulo Soriano)

(A notícia deste post é do grande amigo da Galiza e excelente escritor baiano PAULO SORIANO que esteve cá em Julho de 2011 convidado pela AGAL para apresentar os seus livros «Contos Galegos: contos de horror e fantasia» e «Histórias Nefastas: contos de terror, horror e fantasia»)
Olá, bom amigo.
Como você está, irmão?
Cá, lembramo-nos muito de vocês. e pedimos desculpas por tê-los estorvado em nossa estada em Compostela.
Aos bons amigos galegos,  apresento-lhes Alphonsus de Guimaraens, um grande poeta brasileiro, decerto desconhecido entre os galegos:
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
 
 
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
 
 
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
 
 
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
 
 
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Belíssimo, não?  Ouçamos, então, do mesmo autor,   este  fantástico autorretrato, ou retrato  d’alma:
Entre brumas, ao longe, surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.

 
E o sino canta em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
 
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a benção de Jesus.
E o sino clama em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
 
 
 
Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Poe-se a luz a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu tristonho
Toda branca de luar.
 
 
E o sino chora em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!” 
O céu e todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem acoitar o rosto meu.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.
E o sino chora em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
 
Belo, não?
Um forte abraço.


RESUMO DA ÚLTIMA REUNIÃO DO CLUBE DE LEITURA SANTENGRACIA

Hoje tivemos a reunião número… sei lá! Foi na cave da Ciranda num local acolhedor em que as responsáveis da livraria nos atenderam com esmerada cortesia e amabilidade: o local é confortabilíssimo e além disso puseram ao nosso dispor bolachas, chã, café etc.

 
Falamos do livro para ler na vindoira temporada, que corresponde à primavera. Decidiu-se em votação, o livro Azul – Corvo

 

da brasileira Adriana Lisboa,  já conhecida pelos santengrácios pois era uma das autoras que foram seleccionadas na antologia do conto brasileiro contemporâneo.

 
Já pedimos uns quantos à própria Ciranda que se encarregassem de fornecer-nos o livro. Se alguém não esteve hoje na reunião, pode ir até lá que eles podem pedir mais um exemplar, ou dois ou os que forem.
 
Em previsão de que o livro estivesse esgotado, fizemos uma lista de «suplentes» Este é o Reino de Portugal
 
de José Brandão, foi o primeiro suplente eleito, os dois que vieram a continuação, com igual número de votos, foram:
 
Arroz De Palma
 
 
Os Cantos
 
A tragédia de uma família açoreana
 
Porém há indícios de que o «Azul-corvo» pode ser conseguido facilmente.
 
Na mesma reunião determinou-se a próxima data de reunião que vai ser:
 
DIA: SEXTA-FEIRA 7 DE JUNHO DE 2013
HORA: 19:30
LOCAL: CAVE DA CIRANDA (RUA TRAVESA 7, RÉS-DO-CHÃO) COMPOSTELA
 
O livro que foi lido em tempo de inverno, Esau e Jacó de Machado de Assis, foi comentado com erudicião e entusiamo pelo camarada João que louvou o humor, a ironia e a qualidade literária do genial brasileiro. A Lali leu um trecho do mesmo livro que conseguiu aproximar-nos à oralidade brasileira e finalmente, depois de várias intervenções do Antão, a Nazaret, a Olalha e mais que agora não lembro, decidiu-se qualificar a obra lida. Bem sabemos que é audaz pela nossa parte pôr nota a um vulto de tamanha importância da literatura não apenas brasileira  mas o nosso objectivo é transmitir a nossa valoração subjectiva a outros clubes de leitura da federação «pega-no-livro». A média das qualificações foi 7,8 e votaram unicamente 5 pessoas,das 11 que estivemos, pois outras não terminaram a leitura do livro, ou sentiam-se incapazes de emitir uma qualificação.
 
Espero que o João escreva umas reflexões sobre o livro para serem publicadas no blogue https://peganolivro.wordpress.com/
 
Já agora, entrem nessa página que há um extenso comentário sobre o livro que temos para ler nesta primavera, já sabem, «azul-corvo»
 
Abraço
 
Carlos
 
PS Depois da reunião fomos à taberna «Los sobrinos del Padre: La Casa del buen Pulpo» onde comimos três raçons do idem além de omeletas, e zorza (com vinho e cerveja q. b.)